Arrependi me de tudo o que tinha escrito. Passava muito rápido... Aqui está o resultado após semanas de trabalho... espero que gostem
I
Amanda abriu os olhos e olhou para o despertador. Apesar de ser Sábado, Amanda tinha combinado com uma amigar irem passear, aproveitar o tempo em que não tinham que se preocupar com os testes.
Antes de se levantar, fitou o tecto e pensou nas aventuras que vivera na noite anterior. Tinha ido sair com uns amigos, como a sua mãe estava a trabalhar até tarde, aproveitou a sua ausência para de escapulir. Foram até um bar, onde beberam um sumo, em seguida foram a uma espécie de discoteca, eram mais um café com música alta o suficiente para não deixar dormir os vizinhos mais próximos. Dançaram até Amanda não suportar as dores nos pés. Tivera de correr até casa para não ser apanhada pela mãe, que ainda foi ao seu quarto confirmar a sua presença na noite anterior.
Finalmente tomou a decisão de se levantar da cama, dirigiu-se a casa de banho para tratar de higiene pessoal. Quando chegou a porta estava fechada, e era audível música a tocar, só podia ser o seu irmão Pedro. Pedro era cinco anos mais novo do que Amanda, não tinham uma relação das mais saudáveis do mundo. Tendo uma diferença de idades tão pequena, muitas vezes discordavam, mas nos momentos difíceis davam-se lindamente, quando algum deles estava em baixo, o outro ajudava. Passados alguns minutos a porta abriu-se. Um vapor imenso saiu, afinal, Pedro tomara banho de água quente.
-Bom dia maninha! – Disse Pedro a sorrir
-Bom dia mano! – Disse Amanda passando a mão no cabelo molhado de Pedro
Entrou para a casa de banho, o ar era quase irrespirável com tanto vapor. Despiu-se e entrou para a banheira, encheu-a de água e mergulhou-se na água ainda quente.
-Não há melhor maneira de começar o dia. – Pensou Amanda enquanto desfrutava do banho.
Deixou-se ficar mergulhada na banheira até a sua mãe começar a barafustar. Saiu da banheira, secou o cabelo, e embrulhada na toalha, saiu em direcção ao seu quarto. Era um quarto amplo, com espaço para todas as suas coisas, computador, livros da escola, e várias fotos dos seus ídolos musicais, apenas imagens que são oferecidas por uma qualquer revista para adolescentes. Tinha ainda um grande armário para guardar a roupa, esta abundava em cores e formatos, ia desde os tops de verão com decotes bastante acentuados, até aos casacos de Inverno que a cobriam por completo.
Nesse dia optou por escolher uma camisola de manga curta com um decote um tanto ao generoso, e umas calças de ganga pretas.
Desceu as escadas em direcção a cozinha, pelo caminho ouviu o barulho de desenhos animados, só podia ser o Pedro, ele nunca perdia um episódio daquela série que tanto o fascinava. Continuou, ignorando o barulho, quando chegou a cozinha, tinha em cima da mesa duas torradas e um copo de sumo a sua espera.
-Bom dia mãe. – Disse Amanda.
-Olá filha. – Retribuiu a mãe.
Amanda sentou-se a mesa. Barrou uma das torradas com manteiga e a outra com doce de morango. Bebeu o sumo. Quando acabou de comer, olhou para a televisão, estava a passar o anúncio da sua novela favorita. Ao que parece a personagem principal tem um caso, desconhecido pelos outros protagonistas.
Levantou-se, dirigiu-se de novo ao seu quarto. Agarrou na mala que preparara no dia anterior. Desceu as escadas em grande pressa, despediu-se da mãe, o seu pai trabalhava por turno, e estava colocado no turno da noite, logo, ainda não estava em casa.
-Vens almoçar a casa? – Perguntou a mãe.
-Ah… Não. Vou com a Marina e comemos alguma coisa na rua.
Dirigiu-se a porta, pelo caminho agarrou a chaves de casa, pois nunca se sabe se não estaria ninguém em casa. Já era habitual Amanda ter programas de Sábado assim. Saia de casa cedo e voltava já perto da noite. Nunca dizia a ninguém o que ia fazer. Simplesmente limitava-se a avisar que não ia almoçar.
Saiu de casa, como estava um dia lindo, decidiu dedicar algum tempo as actividades ao ar livre antes de ir ter com Marina, afinal só tinham combinado para depois do almoço. Foi até ao parque dar milho aos pombos, no entanto como os bancos estavam ocupados, resolveu sentar-se no chão.
Olhou para o sol e, por um momento, pareceu-lhe ver uma figura de grandes dimensões a voar, mas pensou que fosse só um pombo.
O dia estava mesmo maravilhoso, o sol brilhava, no ar sentia-se uma suave brisa, as árvores estavam a florir, o que ainda dava mais magia ao ar. Quando acabou de almoçar, saiu do café, atravessou a estrada que a separava do jardim.
Olhou para o relógio. Era tarde. Procurou na sua mala pelo telemóvel que a mãe lhe dera nos anos. Procurou a longo da extensa lista telefónica, metade dos contactos nunca haviam tido o privilégio de receber uma chamada, ou mesmo uma mensagem por parte de Amanda. Procurou…Procurou até que encontrou o número da sua amiga Marina.
Enquanto o telemóvel tocava, Amanda pensava nas coisas que podiam fazer nessa tarde de Sábado, afinal, a vida e para ser vivida. Depois de esperar alguns segundos ouviu uma voz do outro lado da linha.
-Olá Amanda. – Disse Marina
-Olá Marina. Está tudo bem?
-Sim. Então, ainda estamos combinadas? – Perguntou Marina
-Claro. Vou agora apanhar o autocarro. Dentro de vinte minutos estou ai.
-Muito bem. Fico a tua espera. – Disse Marina
Amanda desligou o telemóvel e meteu-o na mala. Olhou novamente para o relógio. Faltavam cinco minutos para a hora do autocarro, mas como ele se atrasava sempre, resolveu ir um pouco mais devagar.
Como era Sábado, havia muitas pessoas na rua. Famílias a passear, casais de namorados a trocar carícias e segredos, e um senhor já com alguma idade, que se recusava a envelhecer. Todas as manhas quando ia para a escola, Amanda via o mesmo senhor de fato de treino, com uma garrafa de água a mão a correr pelo parque e a fazer os mais diversos exercícios. Era uma pessoa a quem o tempo só marcou com algumas rugas. Um caso raro entre muitos.
Ver toda aquela magia quase que a fez esquecer-se de que tinha combinado com Marina irem comprar roupas novas. Afinal o inverno estava a chegar, e as roupas do ano passado, já não lhe serviam.
Andou mais alguns metros até chegar a paragem do autocarro. Reconheceu algumas vizinhas, e algumas amigas da mãe, afinal ainda era cedo, e nem todas as pessoas tem o privilégio de ficar em casa ao Sábado. Encostou-se a um poste, e esperou. Passados alguns minutos o autocarro chegou, com é evidente atrasado. Vinha parcialmente cheio, não completamente. Ainda havia sítio para Amanda e para o resto das pessoas que esperavam impacientemente na paragem.
II
Entrou no autocarro e sentou-se num banco perto da janela, uma senhora na casa dos trinta anos sentou-se ao seu lado. A viagem ia ser longa. Reparou que a senhora tinha uma revista na mão, daquelas que comentam a vida das celebridades. Desviou o olhar, afinal, esse tipo de informação e perfeitamente dispensável.
Retirou da mala um livro, chamava-se “A fantasia nas minhas mãos” era o género de livros que a deixava presa a história. Falava sobre Elfos, Fadas, Goblins, e todo um leque de criaturas fantásticas. Começou a folheá-lo. Numa das páginas era visível uma imagem de uma fada, um ser muito pequeno, com quatro pequenas asas, uma ilustração simples, sem cores. Virou a página. Nesta encontrava-se um longo texto, e uma pequena imagem da comparação de tamanha entre uma fada e um Humano. Cerca de um décimo do tamanho. Uma rajada de vento entrou pela janela que se encontrava aberta. E o livro foi abrir numa página onde se encontrava a imagem de um Anjo, uma criatura magnífica, do tamanho de um Homem. Amanda reparou que a sua paragem não estava longe. Afinal, a viagem fora mais rápida do que esperava.
Saiu do autocarro. Do outro lado da rua, Marina já a esperava sentada no banco de metal que estava na paragem.
-Olá menina, estava a ver que não vinhas! Disse Marina enquanto se cumprimentavam.
-Desculpa, perdi o primeiro autocarro. – Respondeu Amanda
Atravessaram a estrada, do outro lado encontrava-se uma pizzaria.
-Vamos almoçar… Amy? - Perguntou Marina
Amanda fora baptizada de Amy pela irmã mais nova de Marina, uma pequenina com três aninhos. Amanda até achava piada, mas alguns colegas de turma, daqueles mais infantis, decidiram que Amy era um nome de boneca, coisa que Amanda não era.
-Sim. Vamos, já estou com fome. – Disse Amy abraçando-a
Atravessaram a estrada, a expressão na cara dos condutores era de puro frenesim, uma vez que já estavam atrasados para os respectivos empregos.
A entrada da pizzaria era bastante convidativa, com dois bonecos em tamanho real, mas com a barriga exageradamente grande, talvez na tentativa de avisar as pessoas dos perigos da chamada “comida rápida”. Ignorando este aviso silencioso, as duas amigas entraram, sentaram-se a mesa.
O empregado dirigiu-se a elas, vestia uma camisa branca, com o símbolo do estabelecimento bordado no peito. E um avental preto, com um pequeno bolso, onde era audível o chocalhar de várias moedas, provavelmente gorjetas. Dirigiu-se as duas amigas e disse.
-Bom dia senhoras. Quando escolherem sintam-se a vontade para me chamar.
Juntamente com a lista das pizzas, entregou também uma lista de acompanhamentos e de sumos. Amy escolheu uma pizza de queijo e fiambre, e para beber um sumo de laranja, Marina escolheu uma pizza de ananás, e para beber pediu um sumo de manga. Passaram a refeição em silêncio, tal não era a sua fome. Quando acabaram, pediram a conta. Marina ofereceu-se para pagar, e Amy, por ma questão de educação não aceitou tal proposta. Dividiram a despesa.
Saíram da pizzaria, e percorreram a longa avenida repleta de lojas, não foi preciso muito tempo, para ambas ficarem com as mãos completamente ocupadas com sacos.
Amy, ainda que a muito custo, olhou para o relógio. Era uma tarefa quase impossível, uma vez que com o peso dos sacos, era difícil até levantar o braço para ver as horas. Quando finalmente conseguiu, ficou admirada.
-Como o tempo voa… – Pensou Amy
Eram quase sete horas, e o ultimo autocarro, era as sete e meia. Marina percebeu pela cara de Amy que o seu “dia perfeito” estava achegar ao fim.
-Queres companhia até a paragem? – Perguntou Marina.
Amy anuiu que sim com a cabeça. Cada uma com os seus sacos, dirigiram-se a paragem perto da pizzaria. Ao contrário do que quando marina fora buscar Amy, a paragem estava agora deserta. Os candeeiros da rua começavam agora a acender-se. Dentro de alguns minutos seria de noite.
Não tiveram que esperar muito para que o autocarro, agora desprovido de passageiros, chegasse a paragem. Amy e marina despediram-se com um abraço forte. Marina ficou a ver o autocarro ir-se embora, até dar uma curva e desaparecer.
A viagem de regresso prometia mais rápida, uma vez que não havia trânsito. Amy nem se dera ao trabalho de tirar da mala o seu livro. Ia extremamente cansada, tirou os sapatos, constatou que tinha os pés inchados. Como não ia mais ninguém no autocarro, pousou os sacos no banco ao lado do seu.
Olhou pela janela. Era já de noite. O seu relógio marcava ainda seis da tarde, mas como o horário de Inverno tinha entrado em vigor há poucos dias, era perfeitamente normal que ainda estivesse baralhada.
Pensava na infinidade de perguntas que a mãe lhe faria. Pois, apesar das suas saídas já se terem tornado quase uma rotina, é normal uma mãe preocupar-se com a filha.
Pensava também na roupa nova que tinha comprado. Possivelmente metade daquelas coisas, só iriam ter o privilégio de ser usadas uma ou duas vezes. Mas felizmente, Amy não tinha problemas financeiros. Antes pelo contrário. Podia gabar-se de uma situação económica bastante estável. Não se considerava rica, apenas afortunada, alguém a quem a sorte bateu a porta.
Ia tão envolvida nos seus pensamentos, que nem reparou que o motorista parou o autocarro.
-Desculpa menina. – Disse o senhor calmamente. – Tivemos um furo, vou ver o que se passa.
Amy olhou para o condutor. Um senhor alto e escanzelado, com um pequeno bigode. Aparentava ter á volta de cinquenta anos. Olhou para ela e esboçou um sorriso.
-Não se preocupe. Já são muitos anos de serviço, um furo é normal. – Acalmou-a o condutor
Amanda sempre se interessara por mecânica, viu ali uma oportunidade de aprender algo mais.
-Importa-se que eu vá consigo? – Perguntou Amanda
Apesar das objecções do condutor, Amy acabou por ir com ele. Ajudou-o a mudar o pneu. Quando estavam quase a acabar, ouviu-se um barulho. Amy identificou-o como sendo o toque do seu telemóvel. Entro no autocarro, agarrou no telemóvel, e viu que o seu livro estava ao lado. Agarrou nele, e meteu-o na pequena mala que comprara.
Saiu do autocarro. Dirigiu-se ao condutor, este aconselhou-a a que se fosse sentar no passeio, uma vez que já estava praticamente no fim. Amanda assim fez. Deu a volta ao autocarro e foi sentar-se no passeio do outro lado. Via apenas os pés do condutor e as suas mãos enrugadas, que manuseavam agilmente as ferramentas.
Tirou o seu livro da mala. O marcador ainda estava na página do Anjo. Lembrara-se agora da história daquele livro.
Num belo dia da Inverno, com chuva, vento, e até trovoada, ia a correr, para não se molhar. Entrou num bar, apenas para evitar o temporal, que agora se mostrava mais do que nunca. Sentou-se numa mesa. Apesar dos seus quinze anos, já tinha um corpo de mulher. Atraiu vários olhares, uma vez que estava completamente encharcada da cabeça aos pés. Olhou para a mesa ao lado. Estava vazia. Como o temporal estava a amainar, e a sua presença estava a provocar algumas inquietações, resolveu sair. Ia a caminho da porta, quando viu o livro caído junto a um vaso.
Pegou nele, e olhou á volta. Dirigiu-se a várias mesa. Mas ninguém lhe dera atenção. Resolve então ficar com ele. E desde esse dia, já há quatro anos, que o traz sempre consigo.
Voltou a si. O motorista ainda estava de joelhos a tentar mudar o pneu. Estivera tão absorvida com os seus pensamentos, que quase adormecera. Começou a folhear o livro. Este abrira-se agora numa nova página, graças a uma rajada de vento que aparecera do nada. Uma criatura com cerca de um metro e oitenta centímetros, e que usava uma capa preta com um capuz que lhe cobria o rosto por completo. Na página ao lado, estava um pequeno texto, que dizia o seguinte. “Amu’raz sanaka tamu’jko”, á frente estava a tradução, “Somos os portadores da morte”.
Amy acabou de ler. Olhou para o autocarro, e verificou que o motorista já não estava lá.
-Deve estar no autocarro. – Penso Amy
Mas nesse momento, um enorme barulho encheu o ar. Gotas de sangue começaram a cair perto do pneu recém mudado. Amy ficou preocupada. Ter-se-ia o motorista cortado nalguma das ferramentas?
Levantou-se do passeio, e contornou o autocarro. Quando o seu olhar encontrou o do motorista, este tinha um enorme corte na garganta. Era impossível estar vivo, uma vez que estava quase degolado. O motorista caiu inanimado no chão. Amy soltou um grito de horror, correu para o apanhar. Não chegou a tempo, ao embater no chão, a cabeça do motorista rolou para baixo do autocarro.
Amy deu salto para trás e caiu batendo com o traseiro no chão de pedra que agora estava frio como gelo. Ao olhar para cima, Viu uma criatura horrenda, semelhante aquela que estava no seu livro. Seria possível? A criatura mantinha-se erecta, em cima do autocarro. Deu um salto, ia descer na direcção de Amy, na sua mão apareceu uma enorme adaga, ainda manchada de sangue. No último segundo, uma luz branca e cintilante embateu na criatura, projectando-a contra um poste de iluminação. A criatura embateu tão violentamente, que derrubou o poste.
Agora em cima do autocarro estava uma criatura com forma Humana. Mas só que possuía duas magníficas asas de cor alaranjada com cerca de um metro e meio cada uma, a criatura não parecia ser mais velha do que Amy, e as suas estaturas eram idênticas. A criatura usava uma armadura, mas esta protegia apenas as pernas, os seios e os braços, e estava toda coberta com um tecido e uma cor que condizia com as asas. Usava um pano que lhe tapava parcialmente o rosto, a zona abdominal estava á mostra, deixando assim as curvas do seu corpo a descoberto. À cintura usava uma espada com varias saliências.
O resto é "história"
Sábado há mais
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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